27 June 2011

TRANSCENDÊNCIA

Muito para além das nossa actual capacidades, estendem-se vales e montanhas demais importantes para serem esquecidos. Se a nossa raça não se auto-destruir nem for obliterada por um asteróide ou um vírus, certamente haveremos de lá chegar - eu, pelo menos, gosto de acreditar que sim.

O Esclarecimento de uma consciência madura traz-nos tranquilidade e aceitação para compreender o que nos rodeia, bem como a humildade para questionar essa mesma compreensão. Na transcendência, vamos muito para além do que os olhos conseguem ver. A gnose não religiosa consegue-nos catapultar muito para além das fronteiras do Esclarecimento, assim o queiramos. Os conceitos de corpo e alma, de realidade e ilusão ou de espaço e tempo, misturam-se como tintas de todas as cores numa tela quando falamos de Transcendência.

Mas, o que é isto da Transcendência? Como pode a nossa consciência evoluir para além dos limites do Esclarecimento? Que grau de compreensão e introspecção é necessário para ir ainda mais além?

Para compreender a própria Transcendência e a aceitarmos e nos deixarmos levar por ela, temos de (quase) esquecer tudo o que sabemos desde que (pensamos que) nascemos. É aqui que começamos realmente a questionar a própria existência do ego, a questionar o motivo e não apenas a mecânica. Para aceitar a Transcendência, há que fazer uma purga no próprio espírito. Não vejo forma de tomar um breve vislumbre do que isto será, sem usar grandes doses de meditação e sem nos desprendermos da realidade. Quiçá no futuro muito distante a Transcendência seja uma capacidade inata da espécie, algo que atingimos espontaneamente na puberdade. Agora, só com muita predisposição mental (porventura com um pequeno empurrão químico), poderemos aspirar a ver o que há do outro lado do muro.

Mas, usando este trampolim cognitivo para espreitar mais além, vamos ver o quê? Eu diria,... a Sublimação.

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