23 January 2011

COMPREENSÃO

Ao falarmos sobre a problemática da evolução da consciência, existe um termo que define a fronteira entre o não-ser e o ser, entre o parecido e o real. Esse termo é a Compreensão.

A Compreensão é a segunda grande fronteira da evolução do Conhecimento (sendo que a primeira é o Amadurecimento). Esta fronteira determina a diferença entre o real conhecimento e a mera percepção – quando dizemos “eu percebo o que me dizes”, estamos a informar que recebemos e assimilámos o conteúdo da mensagem, de uma forma sintática e semântica. Ao percebermos algo, estamos a afirmar que acabámos de adquirir a percepção em relação a um determinado assunto ou ponto de vista. Porém, ao dizermos “eu compreendo o que me dizes”, estamos a assumir um nível de comprometimento muito superior, no que concerne ao assunto que nos é apresentado.

Esta diferença não é meramente semântica. As palavras “Conhecimento” e “Compreensão” são desbaratadas nos dias de hoje. Não digo que não deva ser assim, apenas digo que se perdeu uma definição para aquilo que a palavra realmente deveria (ou não) significar. Eu compreendo quando, inexoravelmente, domino o assunto de todos os pontos de vista. Aqui uso a palavra “assunto” para sintetizar como sujeito todo e qualquer objecto de análise, seja físico ou intangível. Por exemplo, ao dizermos “eu Compreendo o funcionamento da Roda”, estamos a assumir que dominamos sem margem de dúvida todos e quaisquer aspectos da mecânica física e quântica associada ao objecto enquanto conceito material – estamos a falar de todas as variações mecânicas (materiais, performance ambiental,...). Mesmo um grande engenheiro tem sérias dificuldades em poder argumentar que compreende o funcionamento da Roda. Poderá ele saber inexoravelmente todas as nuances matemáticas envolvidas? Ou reconhecer o comportamento do objecto sob qualquer ponto de vista? Não precisará de Conhecimentos prévios?

A Compreensão de um determinado assunto não pressupõe genialidade, nem pensamentos esotéricos guardados aos predestinados – mas pressupõe o foco mental do assunto no “Eu” – Eu domino o tema, inexoravelmente.

Portanto, inexoravelmente, poderemos dizer que a compreensão pode ser absoluta, para um determinado assunto? Bom, talvez não, mas será mais fácil entendê-lo como um processo de melhoria contínua e não como uma meta – trata-se mais do “querer” do que o “ser”. É como se procurássemos a resposta, com ou sem a ajuda dos nossos pares, sabendo que cada passo em direcção da compreensão absoluta nos trará mais certezas, e que mesmo os desenganos só servirão para compreender o assunto de novas formas e, ultimamente, para chegar à Compreensão absoluta.

A Compreensão faz a ponte entre a Sensibilização e a Iluminação – é o salto na consciência que nos leva a tomar consciência sensível dum assunto e querê-lo absorver de todas as formas. Sendo um processo, desconfiai dos que dizem que compreendem... pois esses devem ser os falsos iluminados. Quem caminha os degraus saberá que procura compreender. A Compreensão poderá ser facilmente interpretada como uma conquista momentânea, não há como fugir a estar perspectiva. Posso achar que finalmente compreendi um assunto ou um ponto de vista a ele respeitante, mas há-que haver a humildade suficiente para questionar essa conquista e continuar a explorar. O segredo na procura deve ser, na minha humilde opinião, encontrar a paz de espírito em cada conquista, aceitando que aquele pode não ser o fim da procura e que certamente com o tempo outras perspectivas abrir-se-ão. Aceitar-nos-emos com o que somos e com o que não seremos.

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