07 July 2010

AMADURECIMENTO

O amadurecimento da nossa consciência é algo inevitável, não enquanto indivíduo mas enquanto espécie. No decorrer do tempo, a sociedade foi esculpida com uma forma piramidal e formatada de modo a que cada um dos seus estratos fosse homogéneo. Inicialmente, eu julgava que os estratos mais altos – a auto-intitulada “elite” – recolhia a maioria das condições que propiciam o amadurecimento da consciência. Depois, fui percebendo que essas tais condições não tinham qualquer relação com o desenvolvimento da consciência e que indivíduos de camadas inferiores também haviam já amadurecido. Agora consigo compreender que esse amadurecimento não é sequer condicionado pela sociedade, pois é algo intrínseco à nossa capacidade de pensar e ao poder do nosso cérebro.

Contudo, só compreendi de facto este aspecto que à partida parece absurdo quando consegui descobrir as respostas para a questão que a nossa cabeça dispara no momento prontamente a seguir a ter lido o parágrafo anterior: se a evolução para uma segunda escala de consciência, ou amadurecimento da consciência, é algo intrínseco e natural, poderiam os humanos simplesmente evoluir e ficar “maduros”, mesmo não vivendo em sociedade? Não continuaríamos seres brutos a escrever nas paredes das cavernas e a gritar para o ar brandindo um taco de madeira?

Bom... estaremos assim tão diferentes dessa altura?!

Vou repetir a frase de abertura deste degrau: O amadurecimento da nossa consciência é algo inevitável, não enquanto indivíduo mas enquanto espécie. Ou por outras palavras, este amadurecimento acontece naturalmente enquanto espécie, mas pode ser moldado e aprendido individualmente.

Mas a verdade é que, enquanto espécie que vive em sociedade, não evoluímos assim tanto... estamos no limiar da Sensibilização, no final da estrada da Imaturidade. Somos, como já disse anteriormente, uns adolescentes a transpirar impertinência. O nosso cérebro já evoluiu o suficiente para sobrevivermos e prosperarmos. Dominamos os elementos à nossa volta mas ainda não sabemos muito bem o que estamos a fazer. Porém, estamos numa fase evolucional de transição, e também social. É tempo de mudança, quer queiramos quer não. Em breve iremos todos atingir a Percepção.

Este nosso mundo, actualmente, é um óptimo tubo de ensaio para perceber estas mudanças in loco – elas estão a acontecer bem debaixo do nosso nariz e enquanto falamos. Infelizmente, o mundo está retalhado em centenas de países e religiões, cores e credos. As barreiras geográficas já não são desculpa mas ainda assim continuamos a dividir e a rotular. A “elite” continua a ditar guerras para manipular as rodas debaixo dos seus pés, mantendo a escassez e justificando o sistema económico actual. Apesar de estarmos a crescer todos ao mesmo ritmo enquanto espécie, estas diferenças que alguns querem perpetuar fazem parecer que não é assim. Mas é. A diferença é que nem todos têm tempo ou oportunidade de parar para pensar – é difícil ouvir o Estímulo se estivermos a morrer de fome ou Sida em África, ou enfiados doze horas num escritório em Banguecoque afogados em gráficos de barras.

Se fossem dadas as mesmas oportunidades a todos e não mais houvesse guerras, escassez, religiões, países e dinheiro, seríamos nesta altura todos exactamente iguais – sem ódio nem lutas, sem maldade. Não seríamos inocentes mas sim conscientes, maduros, Sensibilizados.

Alguns felizardos já tiveram o seu processo de amadurecimento. Gentes de todos os estratos, aqui e ali, já o conseguiram! Não é uma exclusividade da "elite" - aliás, estes têm muitos tiques que mostram que estão tão desenvolvidos ou menos ainda que os restantes... Como vivemos num mundo confuso e cheio de desigualdades, vai demorar até que este processo de transição seja visível para todos, mas aqui e ali já é possível testemunhar expressões involuntárias e desprovidas de segundas intenções – embora muitas ainda sejam, infelizmente, campanhas de marketing da “elite”.

Individualmente, se não quisermos esperar pelo comboio, basta ficarmos atentos ao nosso interior – este é o primeiro e mais fácil dos processos de transição evolucional da nossa consciência pois está a acontecer naturalmente neste momento e só temos de o escutar. Não é necessário meter roupa numa mochila, largar o emprego e fugir para as montanhas, basta ver menos televisão, basta ter coragem de mudar de vida se não formos felizes, basta ter respeito por todos os outros seres vivos e pelo planeta, basta libertarmo-nos das religiões e de fanatismos patrióticos. E, não mais importante que tudo isso, fazê-lo da forma mais humilde possível, lembrando-nos da nossa humilde e frágil condição humana.

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